Após passar o ano inteiro se preparando psicologicamente
para vivenciar da forma mais intensa possível, o fenômeno que é o feriadão de
carnaval, muitos estão de volta para casa, tristes, saudosos, melancólicos,
sonhando com o próximo.
Os únicos cinco dias, em 365, onde tudo é permitido: beber,
dançar, beijar, transar, trair se drogar, enfim, um feedback aos tempos de
Sodoma e Gomorra, sem peso na consciência. “-Estou na putaria, não num retiro!”
E logo no Brasil, o país do futebol e do samba? Ficar em casa descansando,
curtindo a família é fazer papel de trouxa. Conheço pessoas que vendem até a
própria alma para não deixar de brincar o carnaval. São cinco dias de pura fantasia, alegria. É maravilhoso
voar sem tirar os pés do chão.
É tapa na bundinha, lepo-lepo, lapada na rachada,
rapariga e cabaré, rebolation, entre tantos outros termos, que soam como um
grito de guerra entre os felizes foliões, que são verdadeiras Alices no país
das maravilhas. Wonderful Land! Oh, yeah! Porém, enquanto rola a folia, o tempo
não para, o mundo não deixa de girar. Guerras acontecem, assaltos,
assassinatos, corrupção. Isso não é fantasia. É a verdadeira face da vida real.
Mas o que importa? As pessoas estão sedadas, alienadas, fora do campo da realidade.
Durante cinco dias, o mundo não existe. Será uma espécie de Matrix? Todos ficam
ricos, poderosos, bonitos, potentes, indestrutíveis.
Entretanto, trago agora uma triste notícia: Acabou a ilusão
da folia. Bem-vindo ao mundo real. Welcome to the jungle! Volte de onde você estava
por aquela estrada repleta de carros e buzinas enlouquecedoras. Hum... Bateu a vontade de chegar logo em casa?
Será que sua mobília ainda está por lá? Um mistério a ser desvendado.
Amanhã, você abrirá o jornal e verá as estatísticas da
violência e ficará indignado, pois está fora do Matrix das ilusões e sonhos
perdidos. Tomará seu café-da-manhã, apertará o nó da gravata, vestirá o terno
bem passado, ligará o seu carro, deixará seus filhos na escola e enfrentará uma
hora de engarrafamento até chegar ao trabalho. Estressante, não? E olhe que
ainda são sete da manhã.
E durante a sua longa viagem ao escritório as lembranças dos
últimos cinco dias virão à tona. Tudo lindo e colorido, contrastando aos tons
cinzentos da melancolia, dos prédios e do céu da cidade poluída.
Particularmente, prefiro pensar no cinza, da forma mais
absolutamente metafórica, pois, mesmo nos momentos mais tristes, nos remete à
vida, em seus mais diferenciados contextos...
Daniel
Silvio

Ótimo Daniel. Amei. Você é o cara. Parabéns querido você tem futuro.
ResponderExcluir"..........sinto desprezo por este mundo este mundo,repleto de prédios cinzas............."
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