“Eu não tenho data
pra comemorar”. Assim disse o poeta numa de suas marcantes canções. Realmente,
ele tem razão. Como se comemora uma data sem ter grandes perspectivas? Vejo
isso nos olhos das pessoas ao meu redor. Tristeza, a falta de esperança e
arrependimento por acreditarem piamente nas pessoas erradas.
Falando em
comemoração, Fortaleza amanheceu um pouco mais velha, afinal, completou 288
anos de existência. Os mais bairristas dizem que são anos muito bem vividos, de
mãos dadas com o futuro, entre outros milhões de elogios. Mas sabemos que a
realidade é outra. Escolas depredadas, ruas esburacadas, as intermináveis obras
inacabáveis, trânsito caótico, violência, nem se fala (agora somos a sétima cidade
mais violenta do mundo)! Que luxo! Não posso me esquecer de citar as pessoas
mal educadas, que jogam o lixo nas ruas nos dias em que não têm coleta. Pelo
menos nisso dou razão à Prefeitura.
De uns tempos pra
cá passei a procurar qualidades na cidade onde nasci, mas ainda não tenho
grandes coisas a dizer. Entendo que esse é um fenômeno peculiar das grandes
metrópoles. É o “preço do progresso”, mas, ao contrário do que diz o lema da
Bandeira Nacional, é desordenado.
Existem hoje duas
Fortalezas. A dos turistas, da rede hoteleira (que também não é lá grande
coisa), das praias lotadas, das ruas asfaltadas e minimamente arborizadas, dos
shoppings, das mansões e aquela outra tão conhecida pela maioria das pessoas,
com seus buracos, favelas, turismo sexual, lixo, falta de cultura e violência
generalizada, que em algumas míseras datas é homenageada com festas a céu
aberto para adoçar a língua do povo. “Nóis é pobre mais se diverte”.
Agora estamos numa
época relativamente próxima da Copa do Mundo e das eleições para Presidente.
Hoje mesmo assisti a diversas propagandas (enganosas, diga-se de passagem) que
mostravam pessoas felizes nas filas quilométricas de um terminal de ônibus,
crianças que brincavam numa praça revitalizada, um professor sorridente e
satisfeito, postos de saúde com atendimento eficiente, entre outras perfeições
que fazem parte dos devaneios daqueles mais crédulos.
Num telejornal ao
meio-dia, um representante municipal disse que a Prefeitura trabalha incansável
para cumprir as metas e as promessas feitas em campanha. Mas, trabalhoso mesmo,
é viver a eterna espera no meio do caos. Contudo, existe o lado bom da coisa.
Reconheçamos que Fortaleza agora é uma cidade internacional; afinal, tem a
Ponte dos Ingleses, o Jardim Japonês e, sobretudo, no período chuvoso, as Ruas
de Veneza. Feliz Aniversário.
Daniel Silvio

