domingo, 23 de fevereiro de 2014

Uma morte anunciada...

Mais um Campeonato terminou para o Ferroviário, só que dessa vez foi bem diferente. “Estamos livres da segundona?” – perguntam alguns desinformados.

Não. Dessa vez, o time da Barra do Ceará caiu no inferno da Segunda Divisão do Futebol Cearense. Uma queda já prevista, levando-se em consideração os feitos do clube nos últimos anos. Sempre batendo na trave. Mas hoje, o gol foi contra.

Quem diria...

Uma morte anunciada. Nada disso foi novidade; não se descobriu o fogo ou se inventou a roda. O Clube, considerado até pouco tempo como a terceira força, o segundo time do torcedor cearense, que revelou craques para o futebol nacional, vivendo esse inferno astral. Existe explicação para isso? Pode ser.

Dirigentes sem alma, jogadores sem raça, sem técnica e, para completar, uma torcida diminuta, embora fiel e crente até o apito final. Mas, quando as cortinas se fecham, os refletores se apagam, a solidão dos túneis e a tristeza dos bastidores trazem à tona a triste realidade, quase que inacreditável: a queda.

O que e como será o amanhã quando os torcedores se derem conta desse terrível pesadelo? Uma segunda-feira incomum na vida dessas pessoas, que ficarão à espera de mudanças, de renovação e, sobretudo, soluções para problemas tão antigos e, ao mesmo tempo, latentes, como a dor de tão trágica derrota.

Não que sirva de consolo, mas outros clubes passaram pela mesma situação e deram a volta por cima. Cabe agora aos gestores, esquecerem a política, o jogo de interesses pessoais, a vaidade, e pensarem coletivamente, priorizando a instituição quase secular que é o Ferroviário Atlético Clube.

Mas enquanto esse dia não chega, trazendo novas perspectivas, os torcedores corais – honrados e fiéis até a morte – tentarão suportar esse domingo fatídico e preparar suas almas para acordar, literalmente, na segunda.

Daniel Silvio

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Preocupações




Os indivíduos de hoje gastam praticamente metade do seu dia pensando ou se preocupando com futilidades. O mercado financeiro em crise, natureza em fúria, corrupção crescente, violência desenfreada, analfabetismo, fome, caos no trânsito, não preocupam a cabeça de um autêntico brasileiro mais do que o próximo capítulo da novela das 21h, o novo (velho) reality show ou o jogo da seleção das firulas.

Milhões sentados à frente do seu quadrado mágico (agora em versão LED) vivem num mundo onírico, ilusório, sem perspectivas de lutar pelo futuro, pela educação (que por sinal, está em queda livre), com uma vibração desmedida que ecoa quase que uníssona em todas as casas e ruas:

- GOOOOOOOLLLLLLLL! – grita o país.

Pura alienação em massa. Atalho fácil, capaz de desviar os olhos do verdadeiro foco da análise crítica sobre os acontecimentos verdadeiramente relevantes, que, de alguma forma terão reflexo na vida de cada um.  Isso é uma grande vantagem para os poderosos de nosso país. “Povo ignorante, voto constante”.

Fato: Enquanto os idiotas estavam preocupados com suas eventuais futilidades, os “nobres” Deputados discutiram e aprovaram o projeto que aumentava em 62% seus próprios salários. Isso tudo num período de 24h. Enquanto um projeto que traz benefícios à nação leva anos para ser discutido. Mas quem se preocupa com isso? Bobagem!

Num domingo qualquer, as seleções de Voleibol (masculino), Futebol (masculino e feminino), os pilotos de Fórmula 1, além do atletismo, foram aquém do esperado e decepcionaram. Suas atuações pífias causaram frisson entre os alienados de plantão:
- Meu time perdeu! Acabou meu final de semana!

Que ridículo! Para mim tanto faz. Não sou hipócrita para afirmar que o importante é competir, pois, como diria nosso saudoso Ayrton Senna: “O segundo é o primeiro colocado entre os perdedores”. Desejo sempre a vitória, mas dentro de um contexto racional, sem deixar de me preocupar primeiramente com o que é mais importante.

Segunda-feira. Logo de manhã, em letras garrafais, estampada na primeira página dos jornais a seguinte notícia: “O DIA DE ONTEM NÃO FOI FAVORÁVEL AO BRASIL NOS ESPORTES”. Um pouco mais abaixo, sem grande destaque, a foto de uma rua esburacada. Não tem jeito. Caminhamos sobre uma ladeira que sempre termina num desfiladeiro.
Bola pra frente. A vida em si já é um esporte de risco para nós, simples mortais.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Percepções



O inevitável passar do tempo. É contra ele que lutamos desde o início de nossas vidas. É uma luta que nunca venceremos, mesmo sendo descobertas diariamente novas curas, tratamentos de beleza e rejuvenescimento. Os homens por mais inteligentes que sejam, nunca serão capazes de criar o elixir da eternidade. Contudo, resta ainda a força para lutar e prolongar nossa existência ao máximo, até que um dia alguém bata à nossa porta e faça um convite para o último brinde, o último encontro, a última viagem de nossas vidas. Antes de mim, também passaram milhões de gerações que hoje são esquecidas nos porões do tempo. Sorrisos, momentos de sofrimento, dores e realizações. Tudo é igual. As histórias da vida real são sempre as mesmas, mudando apenas lugares e personagens, desde as épocas mais remotas. A angústia humana pela espera da morte sempre existiu; talvez pela incerteza do depois.

Acabou o turno. Apagaram-se as luzes. Terminou o show. Passou a minha geração e agora uma juventude chega sem rebeldia convicta, sem causas para defender, sem objetivos, sem personalidade suficiente para discernir o que é útil para saciar suas mentes sedentas de conhecimento. Apenas uma atitude generalizada de vandalismo e aventura sem limites acompanha os recém-chegados como uma avalanche que desce a montanha, arrastando as pedras que insistem em permanecer no caminho. Tudo será soterrado e nascerá um novo cenário removedor de ciclos que repentinamente desaparecerão. Assim são as novas gerações e isso muito me preocupa, pois dois lados de uma mesma moeda se encontrarão: a prudente cultura do passado e a incerta aposta no futuro. Qual das duas prevalecerá? Do jeito que as coisas caminham não vejo nada promissor pela frente. Apenas um futuro que impõe moda, faz caras e bocas com a autoridade de quem sabe tudo sobre a vida, a atropelar toda uma história que levou séculos para ser construída. Castelos de areia na beira do mar...

Quanto a nós da geração passada, resta-nos viver um dia de cada vez, sem esperar por grandes acontecimentos em longo prazo. Daqui por diante, as coisas não serão mais como antigamente. Tudo perderá o seu brilho e encanto à frente de nossas almas jovens, com corpos desgastados pelo tempo. Então, fiquemos com as lembranças e nos conformemos com esse terrível recomeço, coexistindo até o fim, subjugados ao fatídico cotidiano...