quarta-feira, 19 de março de 2014

Pequeno ensaio sobre a educação brasileira



A que ponto chegou a nossa educação. Em busca de ascensão no cenário socioeconômico mundial, o governo brasileiro prioriza o aumento dos índices nas estatísticas. Sabemos todos que os números não mentem, mas, infelizmente, as pessoas sim. Números são apenas números. A mídia divulga os resultados como uma grande conquista, isto é, não faz nada além de dizer o que os governantes e cidadãos gostam de ouvir após mais um estressante dia de trabalho. "Graças a Deus, pelo menos uma boa notícia". O fato de alunos não serem reprovados em nossas escolas denota num crescimento imaginário e como resultante, saídos das escolas públicas, profissionais extremamente capacitados para limpar vidros de carros, recolher lixo, além dos mais destemidos e empreendedores que, com enorme visão para negócios, tornam-se traficantes de drogas.

            Mas não podemos abordar esse tema de forma generalizada. Ressalto aqui, que faço referências à maioria e que também sou conhecedor do lado positivo dessa história. Infelizmente, quando saem os números do "crescimento na educação", não é levado em conta apenas o que funcionou de verdade, quantos alunos aprenderam de fato. A imprensa mostra e o povo sorri, mesmo depois de um insólito aumento do salário mínimo, que, segundo economistas do governo é oneroso. Segundo uma pesquisa, para cada real inserido no salário são 135 milhões a menos nos cofres públicos. Só uma curiosidade: Por que a alta cúpula pesquisa sobre quanto custa ao povo o aumento de míseros 62% nos próprios salários? Perdão. Isso é outra história, para outro artigo.

Viva o carnaval! Viva o coelhinho da Páscoa! Viva Tiradentes! Viva o Papai Noel! Viva o sistema da não reprovação!  Do jeito que as coisas estão, num futuro bem próximo, os estudantes não saberão mais nem resolver um simples problema que a vida lhes oferece diariamente: escrever seu próprio nome. 

Que venha a Copa do Mundo!

Daniel Silvio

sexta-feira, 7 de março de 2014

Para todas as mulheres



Hoje é um dia para ser comemorado com a maior das alegrias. Não, não é pelo sábado, e sim, por uma data mais que importante, onde as flores se abrem com um olor especial, embora essa homenagem deva ser feita todos os dias. 8 de março não lembra nada para você? Claro que sim! Hoje é o Dia Internacional da Mulher.

Da mulher guerreira que enfrenta bravamente as dificuldades do dia-a-dia e consegue ao mesmo tempo ser delicada e companheira. Mulher que amamenta, acalenta e tem garras de leoa ao defender seus filhos. Que chora não pelas dores físicas, mas pela alegria da superação.

A melhor amiga, mãe, parceira, que pela força do afeto dobra os homens mais duros. Estamos nós, indivíduos “fortes” do sexo masculino, rendidos aos seus cuidados , mas, ainda assim, insistimos em ficar no posto de comando, apenas por acreditarmos na tradicional máxima que diz “Quem manda é o homem”. Ideologia barata, filosofia de fundo de quintal, no máximo, de bar.

Após um dia de trabalho duro precisamos de carinhos, carícias, comidinha quente e cama aconchegante para que possamos dormir tranquilamente e enfrentar tudo de novo ao acordar. Consolo e serenidade nos momentos de dificuldade que recebemos de graça...

Só a mulher nos proporciona isso e ainda nos sentimos o máximo. Pobres de nós. Com tanto vigor, coragem e astúcia, ainda somos fracos, inseguros e menos inteligentes, sem contar que não fomos escolhidos pelo Criador para cumprir a sublime missão de dar a luz. Será que somos de fato o lado mais forte sabendo que não temos capacidade de viver ao mesmo tempo vários papéis?

Imagino como é difícil ser mãe, esposa, funcionária, dona-de-casa, babá, cozinheira, lavadeira, engomadeira e a base forte de uma família. Isso é o que chamo de solidez, força espiritual extrema, que só a mulher possui.

Aos machões de plantão, esse não é um discurso feminista, apenas uma pequena homenagem às Roselenas, Helenas, Rosas, Joselinas, Danielles, Renatas, Rutes, Socorros, Zeunálias, Cláudias, Aurineides, Andréas, Isabelas, Silvias, Lúcias, Fernandas, Vivianes, Geises, Anas, Sabrinas, Carolinas, Rosanes, Kamillas, Moniques,Pompeias, Goretes, Naras, Tarcisias, Jaciras,Déboas, Suzys, Mirelas, Cristianes,Geuzas, Huianas, Solanges, Paulas, Taianes, Níveas, Marluces,Virnas, Karlas e Hellens, enfim, entre outros milhões de nomes, que à frente da grandeza do papel que têm no mundo são apenas nomes, porém, dignos da mais expressiva e sincera reverência. Mulher, parabéns por esse dia, que deve ser comemorado todos os dias...


Daniel Silvio

quarta-feira, 5 de março de 2014

Hoje é dia de cinzas

Após passar o ano inteiro se preparando psicologicamente para vivenciar da forma mais intensa possível, o fenômeno que é o feriadão de carnaval, muitos estão de volta para casa, tristes, saudosos, melancólicos, sonhando com o próximo.

Os únicos cinco dias, em 365, onde tudo é permitido: beber, dançar, beijar, transar, trair se drogar, enfim, um feedback aos tempos de Sodoma e Gomorra, sem peso na consciência. “-Estou na putaria, não num retiro!” E logo no Brasil, o país do futebol e do samba? Ficar em casa descansando, curtindo a família é fazer papel de trouxa. Conheço pessoas que vendem até a própria alma para não deixar de brincar o carnaval.  São cinco dias de pura fantasia, alegria. É maravilhoso voar sem tirar os pés do chão.

É tapa na bundinha, lepo-lepo, lapada na rachada, rapariga e cabaré, rebolation, entre tantos outros termos, que soam como um grito de guerra entre os felizes foliões, que são verdadeiras Alices no país das maravilhas. Wonderful Land! Oh, yeah! Porém, enquanto rola a folia, o tempo não para, o mundo não deixa de girar. Guerras acontecem, assaltos, assassinatos, corrupção. Isso não é fantasia. É a verdadeira face da vida real. Mas o que importa? As pessoas estão sedadas, alienadas, fora do campo da realidade. Durante cinco dias, o mundo não existe. Será uma espécie de Matrix? Todos ficam ricos, poderosos, bonitos, potentes, indestrutíveis.

Entretanto, trago agora uma triste notícia: Acabou a ilusão da folia. Bem-vindo ao mundo real. Welcome to the jungle! Volte de onde você estava por aquela estrada repleta de carros e buzinas enlouquecedoras.  Hum... Bateu a vontade de chegar logo em casa? Será que sua mobília ainda está por lá? Um mistério a ser desvendado.

Amanhã, você abrirá o jornal e verá as estatísticas da violência e ficará indignado, pois está fora do Matrix das ilusões e sonhos perdidos. Tomará seu café-da-manhã, apertará o nó da gravata, vestirá o terno bem passado, ligará o seu carro, deixará seus filhos na escola e enfrentará uma hora de engarrafamento até chegar ao trabalho. Estressante, não? E olhe que ainda são sete da manhã.

E durante a sua longa viagem ao escritório as lembranças dos últimos cinco dias virão à tona. Tudo lindo e colorido, contrastando aos tons cinzentos da melancolia, dos prédios e do céu da cidade poluída.

Particularmente, prefiro pensar no cinza, da forma mais absolutamente metafórica, pois, mesmo nos momentos mais tristes, nos remete à vida, em seus mais diferenciados contextos...



Daniel Silvio