O
inevitável passar do tempo. É contra ele que lutamos desde o início de nossas
vidas. É uma luta que nunca venceremos, mesmo sendo descobertas diariamente
novas curas, tratamentos de beleza e rejuvenescimento. Os homens por mais
inteligentes que sejam, nunca serão capazes de criar o elixir da
eternidade. Contudo, resta ainda a força para lutar e prolongar nossa
existência ao máximo, até que um dia alguém bata à nossa porta e faça um
convite para o último brinde, o último encontro, a última viagem de nossas
vidas. Antes de mim, também passaram milhões de gerações que hoje são
esquecidas nos porões do tempo. Sorrisos, momentos de sofrimento, dores e
realizações. Tudo é igual. As histórias da vida real são sempre as mesmas,
mudando apenas lugares e personagens, desde as épocas mais remotas. A angústia
humana pela espera da morte sempre existiu; talvez pela incerteza do depois.
Acabou o
turno. Apagaram-se as luzes. Terminou o show. Passou a minha geração e agora
uma juventude chega sem rebeldia convicta, sem causas para defender, sem
objetivos, sem personalidade suficiente para discernir o que é útil para saciar
suas mentes sedentas de conhecimento. Apenas uma atitude generalizada de
vandalismo e aventura sem limites acompanha os recém-chegados como uma
avalanche que desce a montanha, arrastando as pedras que insistem em permanecer
no caminho. Tudo será soterrado e nascerá um novo cenário removedor de ciclos
que repentinamente desaparecerão. Assim são as novas gerações e isso muito me
preocupa, pois dois lados de uma mesma moeda se encontrarão: a prudente cultura
do passado e a incerta aposta no futuro. Qual das duas prevalecerá? Do jeito
que as coisas caminham não vejo nada promissor pela frente. Apenas um futuro
que impõe moda, faz caras e bocas com a autoridade de quem sabe tudo sobre a
vida, a atropelar toda uma história que levou séculos para ser construída. Castelos
de areia na beira do mar...
Quanto a
nós da geração passada, resta-nos viver um dia de cada vez, sem esperar por
grandes acontecimentos em longo prazo. Daqui por diante, as coisas não serão
mais como antigamente. Tudo perderá o seu brilho e encanto à frente de nossas
almas jovens, com corpos desgastados pelo tempo. Então, fiquemos com as
lembranças e nos conformemos com esse terrível recomeço, coexistindo até o fim,
subjugados ao fatídico cotidiano...

Parabéns pela crônica, embora num tom meio tristinho é tônica e refrescante, pelo menos para mim, Olivier, francês aqui no Brasil há quase 20 anos, casado com uma brasileira e pai de um filho brasileiro de dez anos desde terça-feira de cinza agora.
ResponderExcluirAbraço!
E pai preocupado com o futuro do filho é claro!
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